Um pouco da história
A cana-de-açúcar foi trazida do sul da Ásia para o Brasil pelos
portugueses na época da colonização e a mais antiga história sobre a origem da cachaça
relata que a descobriram por acaso, no início do Século XVI, derivada de um
subproduto da manufatura brasileira de açúcar mascavo e de rapadura. Na produção,
o caldo de cana fervido em tachos formava uma massa espessa de onde se retirava
a espuma, ou borra, gerada durante a fervura. A borra, armazenada em cochos de
madeira, fermentava transformando-se numa espécie de garapa azeda, chamada cagaça, que servia para complementar a
alimentação animal. Mais tarde, os senhores-de-engenho passaram a oferecer a
beberagem aos escravos e da idéia de destilar o caldo surgiu a cachaça. As
primeiras destilarias eram chamadas de "casas de cozer méis" e se multiplicaram
com facilidade, pois já existiam os engenhos produtores de açúcar e rapadura.
O nome da bebida pode ser
proveniente da antiga língua ibérica que denominava cachaza um vinho de borra de qualidade inferior consumido em
Portugal e na Espanha ou derivado de cachaço, cujo feminino é cachaça; porcos
selvagens encontrados nas matas do nordeste de carne muito dura habitualmente
amaciada com aguardente de cana.
De meados do século XVI até a metade do século XVII, a cachaça era moeda
corrente em compras de escravos na África e visando o lucro os senhores-de-engenho
dividiram a produção entre o açúcar e a aguardente prejudicando a venda da
bagaceira, um destilado de uvas português, e do vinho lusitano. Como resultado
Portugal proibiu repetidas vezes sem sucesso a produção, a comercialização e o
consumo da bebida. Com o passar do tempo, as técnicas de produção evoluíram e a
cachaça chegou às mesas da corte. Era servida em banquetes palacianos temperada
com gengibre e outras especiarias e em festas religiosas portuguesas como um
tipo de quentão. No século XIX transformou-se em símbolo de brasilidade e de resistência
ao colonialismo português.
Dom Pedro I brindou a independência com cachaça e Fernando Henrique
Cardoso escolheu-a para ser a bebida oficial das festividades em comemoração aos
500 anos do descobrimento do Brasil.
Degustação
Na degustação recomenda-se cálice
de cristal pequeno porque retém os sedutores perfumes e sabores da cachaça.
Sinta os aromas! A olfação lembrará cana, melado, rapadura e algumas madeiras. O toque de classe e o gosto
característico de cada variedade dependem do tipo da madeira dos tonéis em que
a bebida envelheceu. Os barris mais utilizados são os de carvalho, jequitibá,
ipê-amarelo, amburana e bálsamo.
Testando sabores - Tome um bom gole da cachaça e a não engula
de uma vez. Deixe a bebida se dispersar na boca, depois inspire o ar antes de
engoli-la e só expire quando já a tiver engolido; assim poderá avaliar o sabor
remanescente. O doce é sentido na ponta da língua, o amargor no fundo da boca e
a acidez nas laterais da língua.
A qualidade
Como
reconhecer uma cachaça de boa qualidade? Aí vão algumas dicas!
1. Agite
a garrafa. Se a bebida for de boa qualidade um rosário de bolhas se formará em
torno do gargalo e desaparecerá em 10 ou 15 segundos.
2. A cachaça
precisa ser transparente e sem impurezas e pode ser incolor ou dourada, neste
caso significando que foi envelhecida em barris de madeira.
3. Derrame-a lentamente junto ao vidro do copo e observe.
O líquido deverá formar uma fina película escorrendo como um óleo delicado.
4. O aroma tem de ser agradável e a exalação da bebida não pode
arder o nariz nem os olhos.
5. A
primeira nota aromática deve lembrar cana.
6. A cachaça de boa qualidade
apresenta quatro sabores: adocicado, ácido, amargo e salgado, mais ou menos
acentuados dependendo da marca.
7. E muito importante: a boa
cachaça provoca uma doce e prazerosa ardência ao inundar a boca.